Design Inclusivo pode ser compreendido como o desenvolvimento de produtos e ambientes que possam ser utilizados com igual eficiência por pessoas com capacidades diversas. Essa prática projetual considera, portanto, públicos mais amplos do que os habitualmente considerados quando se definem as características funcionais dos produtos e ambientes.

“Os designers e arquitetos estão habituados a projetar para um mítico homem médio que é jovem, saudável, de estatura média, que consegue sempre entender como funcionam os novos produtos, que não se cansa, que não se engana… mas que na verdade, não existe”. Jorge Falcato Simões e Renato Bispo, Centro Português de Design 2006.

Para atender de forma mais satisfatória o conjunto da população, os projetos inclusivos procuram observam as necessidades e capacidades de crianças, adultos, idosos, pessoas com deficiências, pessoas doentes, feridas, grupos e indivíduos com limitações temporárias ou permanentes. Tais limitações podem ser das capacidades motoras, os movimentos dos membros superiores e inferiores, das mãos e dedos; das capacidades cognitivas, relativas à compreensão e capacidade de comunicação; das capacidades sensoriais, como visão e audição e ainda fatores socioeconômicos e culturais que possam afetar negativamente a maneira como os indivíduos se relacionam com os produtos e os ambientes.

Imagens: Os Sete Princípios do Design Universal, importantes referências para projetos inclusivos/universais de produtos e ambientes.

Design Universal, Design for All, Acessibilidade, Design Social, Tecnologias Assistivas são outras nomenclaturas e abordagens que, apesar de suas muitas diferenças, por vezes são tidas como sinônimos. Sem entrar nas especificidades, podemos observar que todas elas têm em comum o objetivo de reduzir ou eliminar barreiras que limitem os indivíduos em seu direito a uma vida plena em sociedade.

Embalagem Inclusiva
A abordagem inclusiva em design de embalagens geralmente busca soluções que aumentem significativamente a facilidade de abertura, melhorem a pega e o manuseio, promovam a segurança e favoreçam a leitura e a compreensão das informações. São soluções que procuram preservar a autonomia dos indivíduos durante o uso, sem que precisem ser auxiliados por outros, sem que recorram ao uso de instrumentos, sem perigo de acidentes, sem perda do produto e outros inconvenientes.

Soluções inclusivas de embalagem ainda são raras no Brasil. Barreiras tecnológicas, econômicas, falta de divulgação e de compreensão do tema têm mantido o Design Inclusivo fora das prioridades do mercado nacional. Nos países em que o envelhecimento da população e o protagonismo social das pessoas com deficiências vêm sendo observados há mais tempo como Noruega e seus vizinhos escandinavos, Estados Unidos, Japão, Austrália, entre outros, tem sido desenvolvidas soluções que tornam as embalagens mais adequadas ao uso por todos.

As mudanças sociais, econômicas, tecnológicas e as possibilidades de exportação de produtos embalados fazem do Design Inclusivo uma preciosa oportunidade de inovação, diferenciação e geração de valor para nossa indústria de embalagens.

Ricardo Mayer, designer. Março 2015